Até então já
andei de carro , avião , metrô , ônibus coletivo , path train e a pé, logo ,
faltam apenas trem de passeio e ônibus de passeio.Esse papo sem pé nem cabeça
pra dizer que vou à Penn Station de NYC pra pegar o ônibus rumo à Atlanta,
serão 13 horas de viagem rumo ao ‘ Peach State ‘, Atlanta , ou como os locais
dizem : “Atlênda”.
Uma longa
viagem em um ônibus não tão confortável assim, e aquela ansiedade pelo Passion
2013, falando em Passion, muitos me perguntam sobre o Passion , e é um
movimento de jovens cristãos universitários entre 18 e 25 anos e envolve a cada
ano uma conferência local (USA) e outras por todo o mundo inclusive o Brasil
reunindo milhares e milhares de jovens unidos por uma causa social diferente e
relevante, a desse ano por exemplo, contra a escravidão que assola 27 milhões
de pessoas ao redor do mundo.
Não gastarei
tempo falando do desconforto da viagem (sim o Brasil está na frente em conforto
nos ônibus), entretanto , quantas vistas maravilhosas pude ver ao longo da
estrada, todo aquele cenário que pintou grandes quadros da minha imaginação,
pinheiros secos ao redor da estrada, grandes planícies lindas cercadas por
belas casas.Como eu disse foram 13 horas de viagem e pasme agora : são 1400 km
de viagem em 13 horas, só reflita na qualidade das highways e segurança.
Após alguns
minutos gastos no Google Maps , pego um ônibus para a estação MARTA mais
próxima (MARTA é o nome da rede pública de transporte de Atlanta) , e para minha
surpresa não aceitava nem ‘quarters ‘ nem ‘coins’ e apenas o ‘Breeze Card’,e
como de costume não há roletas nem grades nos ônibus e a motorista permite
minha entrada cordialmente.Agora reflita se você nunca o fez sobre a estrutura
dos nossos ônibus com roletas e espaços apertados para entrar evitando a
bandidagem, o calote, triste.
Já na estação
do Metrô tenho o grande primeiro impacto social, percebo que ao meu redor e em
todos os vagões do metrô e por toda a estação e por todo o lado sou o único “caucasiano-branco-misto-whatever”
do local, e um sentimento nunca antes sentido no Brasil ( eu nunca senti isso
no Brasil, eu ok? Eu !) de segregação e estar em um local que não era pra
estar, os olhares meio tortos e um sentimento de não pertencimento muito estranhos.
Até a parte
mais central da cidade continuo sendo o único ‘branquelo’ do local , quando
começam a aparecer alguns outros mais ao redor, e já no hotel após mais algumas
estações a mistura começa a aumentar bem pouco.Check In feito e malas guardadas
começo a perguntar a mim mesmo : “ Por quê ? “.
A partir
daqui expresso a minha opinião ,e claro, você tem direito de discordar. Nunca
vivi esse momento de ‘separação’ antes no Brasil , momento povo negro e povo
branco, e lhe digo que foi um tremendo choque sentir todo o preconceito
remanescente por ambas partes na cidade que é o berço de ninguém mais que
Martin Luther King Jr., expoente da luta pela igualdade racial no mundo. E por
mais que tenhamos alcançado muito progresso, saber que ainda há um longo caminho,ver
funções de menor remuneração desempenhadas EXCLUSIVAMENTE por uma só cor de
pele despertou questionamentos e incertezas que não sei quando e nem como serão
respondidas. “Por quê ?” 
No comments:
Post a Comment